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KEBAB, CEVICHE OU RABANADAS? Por geraldo Gabliel

KEBAB, CEVICHE OU RABANADAS? Por geraldo Gabliel

 

KEBAB, CEVICHE OU RABANADAS?

Via Corredor Bioceânico

Por Geraldo Gabliel

EFRAIN GONZALEZ

Av. Comandante Espinar N° 754,

Miraflores 15074,

PERU

Como é bom ter amigos! E há amigo que é mais chegado que irmão (Provérbio 18:24). E Geh Latinus, neste momento, recebe uma notícia triste: seu primo Marcelo, vencido por um Sarcoma, se despede dos amigos e familiares… segue o curso (anti)natural da vida, o seu fim…

E eu aqui, confabulando com Efraín, desde a taberna indiana lá no Alto do Pina, em Lisboa, já no final de novembro de 2023, até o dia de hoje: são muitas as novidades:

– Perguntaria a Efrain se ele tem um amigo chamado Robert Prevost, americano de Chigago – USA, que, não por casualidade tem a cidadania peruana – foram mais de 20 anos como missionário no Peru – ninguém menos que o Papa Leão XIV. Eu havia dito: – Habemos Papum! E ninguém sabia quem seria o pontífice… só Deus!

Não sei exatamente qual é o significado do nome Peru para os peruanos, mas sei que também identifica uma ave que sacrificamos no Natal – em espanhol o chamamos de pavo, outros, de guajolote… ouvimos uma história curiosa sobre esta ave relacionada com o Thanksgiving nos Estados Unidos (um dia a gente conta por aqui).

Um dia destes a amiga Cléo – que esteve em uma de nossas crônicas por aqui, me disse algo curioso: – A Turquia – sua terra de paixões  – mudou o seu nome de Turkey para Türkiye, exatamente para evitar confusão com o nome da ave peru, que em inglês é turkey – tal nome não soava bem na comunicação internacional. A Turquia argumentava que a palavra “Türkiye” era mais precisa e representava melhor a cultura e os valores da nação turca. A mudança também visa fortalecer a marca do país e evitar trocadilhos linguísticos com o nome da ave. Tal mudança foi oficializada pela ONU.

Embora Geh Latinus fale bem o espanhol, e uma mica de catalão, estando em Portugal, na companhia do amigo Efraín e sua esposa, falavam o portunhol para que todos concatenássemos as ideias. Nem sempre compreendemos nossos amigos completamente, e isso não é um problema: a gente se entende, desde que, por gentileza, não me falem em Quechua ou Aymara – afinal, não carrego DNA Inca. Nosso primeiro encontro foi inusitado. Efraín e sua esposa (médica) passeavam por Portugal e Espanha, e foi entre uma caminhada e outra que nos reunimos para uma conversa cheia de histórias, degustando um Kebab numa Taberna Indiana. Um cenário improvável para falar do Peru, mas a conversa fluiu naturalmente.

Se dependesse de mim, em terras peruanas, jamais teria pedido um Ceviche ou um Lomo Saltado – sabores que não me apetecem. Mas Efraín, com seu jeito tranquilo e olhar perspicaz, me trouxe uma perspectiva fascinante sobre seu país, um lugar que para um brasileiro pode ser recheado de curiosidades e estranhezas:

– Compartilhamos a Amazônia com outros nove países da América do Sul, inclusive o Brasil. Mas será que as pessoas percebem que a Amazônia Peruana guarda seus próprios mistérios? A fauna e a flora podem ser muito diferentes da Amazônia Brasileira, assim como os recursos naturais escondidos sob suas raízes. Petróleo e terras raras? – Talvez! quem sabe?

Falando em grandeza, o rio Apurímac, que nasce do degelo glacial nos altos picos dos Andes, é considerado a nascente primária do imenso Rio Amazonas. Ao contrário da crença popular, a grandiosa bacia amazônica tem seu início nas profundezas dos Andes peruanos. À medida que as águas descem em cascata pelas montanhas, ganham força e volume até finalmente formar o rio que atravessa o continente.

– O Peru se destaca por sua diversidade geográfica e cultural. De Machu Picchu, um dos sítios arqueológicos mais famosos do mundo, às Linhas de Nazca, geoglifos enigmáticos no deserto, sua história se entrelaça com mistérios e grandes civilizações antigas. A arquitetura Inca, sem argamassa, é um testemunho da engenhosidade de um povo que também usava quipus como método de registro.

A riqueza hídrica do Peru não para por aí. Este país abriga incríveis 4% dos recursos de água doce do mundo. Dos majestosos rios que cortam os vales andinos aos lagos cintilantes que repousam entre montanhas, suas hidrovias são vitais para os ecossistemas e comunidades. O Amazonas, que nasce dentro das fronteiras peruanas, carrega não apenas um imenso volume de água, mas os segredos da floresta tropical. E essa abundância nos lembra que a conservação e as práticas sustentáveis são fundamentais para salvaguardar este recurso inestimável.

Quando se trata de lagos magníficos, o Lago Titicaca, no Peru, é sem dúvida uma joia que vale a pena admirar. Mas você sabia que não é o lago mais alto do mundo? Surpreendente, não é? Embora o Lago Titicaca esteja situado a uma altitude impressionante de 12,507 metros (3,812 pés) acima do nível do mar, ele fica aquém de reivindicar o título de lago mais alto. Essa distinção pertence ao Lago Ojos del Salado, localizado na Cordilheira dos Andes, entre o Chile e a Argentina.

O Peru, no entanto, não se limita apenas às paisagens imponentes – ele é um verdadeiro paraíso da biodiversidade. Considerado um país megadiverso, está entre os principais hotspots ecológicos do mundo. Aproximadamente 13% da vasta extensão da Floresta Amazônica prospera dentro de suas fronteiras, tornando-o um dos melhores destinos para mergulhar nos mistérios e maravilhas desse ecossistema incomparável. Imagine caminhar pela densa folhagem e ouvir a sinfonia de pássaros e criaturas exóticas. Cada canto revela novas surpresas, e cada trilha leva a um universo de biodiversidade pulsante.

Nas ruas, a vida pulsa de modo diferente. A economia informal no Peru impressiona, com vendedores espalhados por esquinas, mercados ambulantes e transações que ocorrem à margem dos sistemas convencionais. O idioma, além do espanhol, se diversifica em Quechua e Aymara, línguas que podem soar estranhas para quem vem de um país onde a unidade linguística predomina.

A gastronomia é uma celebração de sabores indígenas. Milho, batata, peixe fresco. O Inti Raymi, festa do Sol, reflete a profunda conexão do povo peruano com suas origens, algo muito distinto da explosão carnavalesca brasileira.

Mas há desafios. A desigualdade social é latente, com contrastes evidentes entre áreas urbanas e rurais – onde o acesso a serviços básicos como saúde e educação ainda é limitado. A segurança é uma preocupação em certas regiões, especialmente nos grandes centros urbanos, e a política do país segue instável, marcada por turbulências frequentes.

E então veio a curiosidade mais peculiar de todas: no Peru, ninguém sacrifica o peru no Natal. Sim, esta ironia linguística me fez rir. Parece quase um despropósito cultural, mas é apenas mais uma prova de como nossas tradições podem ser tão diferentes – e ao mesmo tempo tão interessantes.

Conhecer Efraín foi mais do que uma troca de palavras e risadas. Foi um convite para enxergar o Peru com olhos menos turísticos e mais observadores, entendendo as nuances que tornam cada país único.

E quem sabe, na próxima vez, eu – um amazônida do Brasil – até experimente um Ceviche.

P.S.: Ah! Me esqueci: ia comentar sobre a icônica Ferrovia Transoceânica, ou Corredor Bioceânico. E falaria do seu trajeto do Rio, (ou Santos?), passando por Rondônia ao Oceano Pacífico, litoral do Peru… mas há um dedo chinês nisso, me preocupa… dá até medo!

https://visitsouthamerica.co/pt/fatos-sobre-o-Peru/ Acesso em 07 de junho de 2025.

https://brasilescola.uol.com.br/geografia/peru-2.htm Acesso em 07 de junho de 2025.

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