Por Lúcio Albuquerque
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Cidade pacata, Porto Velho “acordava” com o apito da usina de luz às 5 da manhã e “ia dormir” 22 horas, quando a usina dava um corte rápido no fornecimento de energia, indicando que 10 minutos depois o sistema seria desligado, narrou Dimarci Menezes portovelhense “da gema”.
“Depois da usina, pela manhã, o trem apitava, avisando aos que ainda não tinham acordado que era hora de trabalhar”, lembrou o turismólogo Ivo Feitosa, citando que a capital do Território tinha uns 60 mil habitantes e o grande local de encontro da cidade era o Mercado Público – incendiado em 1966, e recuperado em parte em 2008 agora como “Mercado Cultural.
Além do Mercado Público outro ponto de encontro era o Café Santos, “onde a cidade sabia de tudo que tinha acontecido, ou discutia o que ia acontecer”, recordou outro “da gema”, o então garoto Anísio Goraieb Fº.
Naquele início da década de 1960 em Porto Velho dois fatos importantes aconteceram: a corrida dos garimpeiros pelas minas de cassiterita e a abertura da rodovia BR-29, provocando a chegada de novos moradores. A capital já contava com dois jornais diários e uma emissora de rádio, a “Caiari”.
Em Porto Velho quando a garimpagem se instalou, o “clima” só mudava no período eleitoral, quando “cutubas” e “peles curtas” disputavam a única cadeira de deputado federal, ou quando anunciada a “queda” do governador. O terceiro fator era quando os times de maiores torcidas, Moto e Ferroviário, se enfrentavam pelo campeonato local.
As forças de segurança eram a 3ª Companhia de Fronteira, alguns policiais civis e os “GTs” da Guarda Territorial, estes, além de funções policiais, eram uma espécie de “faz-tudo”, tirando lenha para a usina de luz, desobstruindo canais e, à noite, faziam a ronda contra a criminalidade.
O comércio evoluiu, apresentando um fenômeno na relação dos garimpeiros com as lojas, porque além de pagarem em dinheiro vivo também praticavam o escambo – o que se repetiria na década de 1980 quando a “corrida do ouro” no Rio Madeira trouxe a figura do garimpeiro, só que agora de aluvião, provocando outro “inchaço” da cidade.
Na década de 1960 a carroça do “Dega”, com seus panelões de mingau, vendia bem na porta do Mercado Público
Tempos bons do futebol local, torcida do Ferroviário em dia de clássico
Os GTs, além da segurança também abasteciam a cidade de lenha e faziam “n” serviços
O apito do trem acordava os dorminhocos em Porto Velho que mal chegava ao KM 1


