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As pré-candidaturas dos delegados, Camargo e Fiori, orbitam a figura de Léo Moraes

Robson Oliveira

Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 – 09h05

Por Resenha Política

CONFUSÃO

Ao anunciar que também é pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo Podemos, o deputado estadual Delegado Camargo antecipa uma disputa interna que já vinha sendo desenhada pelo correligionário Delegado Flori, prefeito de Vilhena. A movimentação embaralha o cenário dentro da legenda e cria num momento em que o partido ainda trabalha sua consolidação estadual. Mas o pleito é justo e legítimo que exigirá do Podemos maturidade.

IMPROVISO

Embora o Podemos tenha musculatura política sob a liderança de Léo Moraes, a sigla ainda não possui capilaridade homogênea em todos os municípios. Dois nomes disputando o mesmo espaço, sem alinhamento prévio, transmitem ao eleitor a sensação de improviso e falta de coordenação estratégica. Em política, desorganização interna quase sempre cobra preço externo.

TESTE

O anúncio solene feito na Assembleia Legislativa colocou luz sobre uma disputa que até então era tratada nos bastidores. Delegado Flori vinha se apresentando como o nome natural da legenda, amparado, segundo ele, pelo entusiasmo de Léo Moraes. A entrada de Camargo altera o tabuleiro e impõe um teste de força.

CAPILARIDADE

Sem pesquisas oficiais disponíveis, resta a leitura qualitativa do cenário. Camargo dialoga com o eleitorado conservador, segmento expressivo em Rondônia, enquanto Flori aposta na experiência administrativa municipal. O desafio para ambos é expandir discurso além das respectivas bolhas e provar viabilidade eleitoral concreta. Capilaridade não se constrói apenas com discurso, mas com estrutura, alianças e presença permanente no interior.

FRAGILIDADE

As duas pré-candidaturas orbitam a figura de Léo Moraes. Sem um gesto claro do principal líder da legenda, ambas perdem densidade política. O eleitor tende a desconfiar de projetos que não demonstram autonomia nem base consolidada.

HESITAÇÃO

No marketing político, fragilidade é rapidamente percebida. Candidaturas dependentes de aval externo transmitem insegurança. Caso o partido não conduza o processo com método e critérios objetivos, corre o risco de assistir ao esvaziamento precoce das postulações. Em cenário competitivo, hesitação é sinônimo de perda de espaço.

DENSIDADE

É previsível que aliados pressionem por uma definição pública a favor de um dos nomes, mas a precipitação pode produzir fissuras irreversíveis. O caminho mais racional seria a realização de levantamento interno para aferir densidade eleitoral e potencial de crescimento.

EGOS

Camargo ainda precisa resolver a formalidade partidária, enquanto Flori carrega a legitimidade de ter sido eleito prefeito pela sigla. A decisão exigirá habilidade política de Léo Moraes para evitar ressentimentos e disputas pessoais. Quando egos falam mais alto que estratégia, o partido encolhe e o adversário agradece.

VERGONHA

O episódio envolvendo vereadores na Câmara Municipal de Porto Velho expõe o nível preocupante do debate público local. Desavenças são naturais na política, mas a transformação do Parlamento em arena de confronto pessoal desqualifica a instituição.

DECORO

O eleitor observa. A banalização de comportamentos incompatíveis com o decoro fragiliza a imagem da representação popular. O Parlamento deve ser espaço de divergência qualificada, não de intimidação ou espetáculo constrangedor.

IMPROPÉRIOS

Com as eleições se aproximando, alguns dos protagonistas desses episódios buscarão novos mandatos ou voos mais altos. É momento oportuno para que o eleitor estabeleça critérios mais rigorosos na escolha.

DESTEMPERO

A política exige firmeza de posições, mas também exige equilíbrio emocional e urbanidade. A reincidência de comportamentos agressivos demonstra despreparo para funções que exigem diálogo institucional. Mandato não é salvo-conduto para destempero.

REAÇÃO

O presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, Gedeão Negreiros, agiu com rapidez ao reprovar publicamente as condutas e exigir providências administrativas. A resposta imediata foi correta e sinaliza que a instituição não pode ser capturada por impulsos individuais.

REEDUCAÇÃO

Ainda assim, a aplicação rigorosa do Regimento Interno e eventual encaminhamento ao Conselho de Ética reforçariam a autoridade da Casa. Precedentes existem no cenário nacional. O médico Nobel Moura perdeu o mandato após agressão à então deputada Raquel Cândido. A coerência institucional fortalece o Parlamento e reeduca condutas.

REVOGAÇÃO

A revogação do decreto que tratava da privatização de rios amazônicos ocorreu após mobilização de povos originários e pressão social. A narrativa de protagonismo parlamentar não encontra respaldo nos fatos. Tem Parlamentar que vive apenas das mídias sociais, trabalho efetivo por Rondônia que é bom, nada.

ILEGÍTIMOS

A bancada federal de Rondônia, salvo exceções, mantém atuação discreta em temas estruturantes. Em ano eleitoral, o eleitor tem a oportunidade de avaliar desempenho, presença e resultados concretos. Mandato que não produz entregas efetivas perde legitimidade.

PENDURICALHOS

A tendência é que o Supremo Tribunal Federal mantenha posição restritiva quanto aos penduricalhos salariais no serviço público. A discussão exige lei específica e enfrenta resistência política.

PRIVILÉGIOS

Num país marcado por desigualdades salariais profundas, benefícios que extrapolam o teto constitucional geram indignação social. O Congresso dificilmente assumirá o desgaste de votar matéria que amplie privilégios. O tema expõe a tensão permanente entre responsabilidade fiscal e pressões corporativas.

EXPLICAÇÕES

O senador Marcos Rogério convocou o diretor-geral da ANTT para prestar esclarecimentos sobre as tarifas de pedágio da BR-364 e os investimentos previstos. A iniciativa atende demanda antiga de transparência. A concessão precisa demonstrar equilíbrio entre rentabilidade e qualidade do serviço prestado. A fiscalização parlamentar é instrumento legítimo para garantir cumprimento contratual. Quando o pedágio pesa no bolso do cidadão, a cobrança por resultados se intensifica.

PLANILHAS

A sociedade espera acesso claro às planilhas que compõem as tarifas e ao cronograma de obras prometidas. Transparência é condição básica em contratos que envolvem recursos de grande impacto social.

TRANSPARÊNCIA

A resistência da concessionária em dialogar com a imprensa amplia a desconfiança. Cabe à representação política exigir clareza técnica e publicidade dos dados. Contrato público não pode operar sob névoa informativa. Quanto mais transparente o processo, menor o espaço para suspeitas e desgaste institucional.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela “OPINIÃO”, que é exclusiva do autor.

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