Não foi uma forma correta de se despedir de uma vida pública rica, profícua e cheia de conquistas. O último discurso de Confúcio Moura, durante uma rápida passagem pela cadeira de presidente do Senado, para um plenário praticamente vazio, foi um triste canto do cisne de quem já foi poderoso e teve os destinos de milhares e milhares de pessoas nas suas mãos.
Com o rosto ríspido, falando com uma amargura que nunca lhe foi característica, Confúcio estampou, claramente, que não deixa a política pela porta da frente. Entre outras frases infelizes, ele condenou o eleitorado (aquele mesmo que lhe deu vários mandatos) por ser formado por “radicais de extrema direita”.
Ou seja, aqueles que não concordam com ele, a ampla maioria dos rondonienses que quer ver o atual governo federal pelas costas (veja-se o resultado das urnas) são agora radicais. Mas, no seu vocabulário, não existe “extrema esquerda”. A culpa de tudo é dos direitistas, que, segundo ele, o impediram, durante seis meses, de por os pés no seu Estado, temendo por sua segurança.
Não há extremismos do lado dele, Confúcio, segundo seu raciocínio. E o temor da sua própria gente é causado apenas por radicais ideológicos, que o tratam como inimigo. Nada tem a ver com sua decisão de, ignorando seu eleitorado, trocar para o lado de um governo que tem o desprezo da ampla maioria da população desta terra de Rondon.
Nada tem a ver, ao que omitiu, de, como Governador, na calada na noite do último dia de mandato, ter criado onze áreas de Reserva Ambiental, com pelo menos três delas abrigando centenas e centenas de famílias que vivem da terra há décadas.
O senador que decidiu não concorrer à reeleição porque sabia que não teria chance alguma, imaginou que por ser o campeão de recursos federais trazidos a Rondônia (e ele o é, realmente!) seria tratado, como foi no passado, como uma figura merecedora apenas de elogios.
Se deu mal. Trouxe muito dinheiro ao Estado, mas as pessoas deixariam de protestar contra os erros cometidos? Uma das provas da resposta negativa é que Confúcio anunciou, dia atrás, um dos maiores investimentos da História para sua cidade, Ariquemes. Mais de 300 milhões de reais. Qual a repercussão? Não fosse ele mesmo informar em vídeo, ninguém saberia.
Ou seja, político trazer dinheiro, a população vê como obrigação. Mas apoiar um governo que o povo detesta em sua maioria e atender interesses de ONGs internacionais, criando áreas de preservação cheias de gente trabalhadora, que podem perder tudo, tem menor peso nesta balança?
É uma pena que uma carreira vitoriosa, recheada de conquistas e que ajudou muito Rondônia, se encerre desta maneira. Mas as escolhas foram de Confúcio Moura. Só dele. Então, que o rondoniense julgue.
Não foi a extrema direita quem acabou com a vitoriosa carreira de Confúcio Moura. Foi ele mesmo!
Fonte Opinião de Primeira




