A programação técnica da 38ª Expocol teve um de seus momentos mais aguardados na manhã desta sexta-feira (12), com a realização da palestra “Perspectiva de Preços da Pecuária de Corte e do Leite para os Próximos Anos”, ministrada pela zootecnista Isabella Cavalcante, coordenadora de Mercado Pecuário da Agrifatto, empresa referência nacional em inteligência de mercado para o agronegócio.
Realizado no Tatersal de Leilões do Parque de Exposições de Colorado do Oeste, o evento reuniu um público expressivo formado por produtores rurais, empresários, representantes de instituições financeiras, lideranças políticas, técnicos, acadêmicos e estudantes do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), consolidando-se como um dos principais momentos de debate técnico da feira.
Durante a apresentação, Isabella abordou o cenário atual da pecuária brasileira, as tendências para os mercados de carne bovina e leite e os desafios que produtores enfrentarão nos próximos anos. Segundo ela, o setor vive um momento importante de transição.
“Estamos passando por uma mudança no ciclo pecuário. É fundamental que o produtor tenha acesso à informação para entender o que fazer daqui para frente, principalmente em relação à gestão do boi gordo, do bezerro e também da atividade leiteira. Viemos de um período bastante difícil para quem produz, mas as perspectivas para este ano são mais positivas”, afirmou.

Rondônia ganha protagonismo no cenário nacional
Ao falar sobre o mercado regional, a especialista destacou o crescimento da pecuária rondoniense e o avanço da tecnificação das propriedades no estado.
Segundo Isabella, embora os conceitos e análises nacionais sejam importantes para compreender o comportamento do mercado, é essencial observar as particularidades de cada região.
“Rondônia vem ganhando cada vez mais espaço dentro da pecuária brasileira. Há alguns anos a arroba praticada aqui estava entre as mais baratas do país. Hoje já observamos uma valorização maior, resultado do empenho dos produtores e da evolução tecnológica da atividade no estado”, explicou.
Para ela, a combinação entre informações nacionais e dados regionalizados permite que o produtor tome decisões mais seguras e alinhadas à realidade local.

Mercado do leite ainda enfrenta desafios
Um dos temas que mais despertou interesse dos participantes foi a situação da cadeia leiteira. Durante a entrevista concedida após a palestra, Isabella comentou uma das principais reclamações dos produtores: a diferença entre a queda dos preços pagos ao produtor e os valores praticados no varejo.
Segundo a especialista, existe um intervalo entre as variações do mercado e os reflexos percebidos pelos diferentes elos da cadeia produtiva.
“Existe uma certa falta de sincronização nesse processo. O produtor demora para sentir os reflexos positivos de uma recuperação do mercado e o consumidor também demora para perceber reduções nos preços dos produtos. A indústria costuma trabalhar com um período de processamento e comercialização que acaba retardando esses repasses para ambas as pontas”, explicou.
Informação e conhecimento são ferramentas indispensáveis
Questionada sobre o espaço para produtores que ainda trabalham com pouca tecnologia ou sem acesso a ferramentas modernas de gestão, Isabella foi enfática ao destacar a importância da atualização constante.
Embora reconheça que a tecnificação exige investimentos e nem sempre o crédito esteja disponível, ela considera o acesso à informação um fator indispensável para a permanência no mercado.
“A atualização é um passo fundamental. Nem sempre é possível investir imediatamente em equipamentos ou estruturas, mas buscar conhecimento é algo que todo produtor precisa fazer. Hoje, a informação é uma ferramenta essencial para manter a competitividade da propriedade”, destacou.

Mais apoio ao produtor rural
Outro tema abordado durante a entrevista foi a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao agronegócio.
Na avaliação da especialista, o Brasil possui enorme potencial produtivo, mas ainda carece de incentivos mais robustos para os produtores rurais.
“Quando observamos outros países, percebemos um apoio governamental muito maior ao setor produtivo. O Brasil tem capacidade para alimentar boa parte do mundo, mas ainda falta um olhar mais atento e investimentos que fortaleçam quem está produzindo no campo”, afirmou.
Papel das entidades é fundamental
Isabella também destacou a importância das entidades representativas na difusão de conhecimento e na aproximação entre produtores e especialistas.
Segundo ela, iniciativas como a promovida pela Associação dos Criadores de Colorado do Oeste (ASCOL), responsável por viabilizar a palestra durante a Expocol, são fundamentais para o desenvolvimento do setor.
“Sem informação e sem esse contato direto, fica muito difícil acompanhar as mudanças do mercado. O trabalho realizado pelas associações, promovendo esse intercâmbio de experiências e trazendo especialistas para dialogar com os produtores, é extremamente importante”, ressaltou.
Ao final da palestra, a especialista agradeceu o convite e reforçou a importância de eventos como a Expocol para o fortalecimento da pecuária regional.
Com auditório lotado e participação ativa do público, a palestra confirmou o papel da Expocol não apenas como vitrine do agronegócio, mas também como espaço de qualificação e debate sobre os desafios e oportunidades que irão moldar o futuro da produção rural em Rondônia e no Brasil.


