O retrato financeiro é preocupante. Segundo os dados mais recentes da prestação de contas eleitoral, Fúria declarou apenas R$ 12 mil em receitas.
Para uma candidatura ao Governo do Estado, o número é praticamente simbólico. E a pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável: onde está o dinheiro da campanha de Fúria?
A falta de recursos começa a atingir também os candidatos a deputado estadual e federal que esperavam uma estrutura mais robusta do grupo governista. Vários deles, segundo informações de bastidores, já reduziram atos, agendas e mobilizações por falta de fôlego financeiro.
A demissão do publicitário João Kaleche abriu uma nova frente de crise dentro do comitê. O episódio ganhou repercussão depois que Kaleche deixou o comando do marketing e Fúria passou a assumir diretamente parte da comunicação.
O versão oficial é divergência de pensamentos, mas nos bastidores, porém, circula uma segunda versão: havia também insatisfação com questões financeiras e pagamentos da campanha.
Luís Fernando, escolhido e lançado candidato ao senado com o apoio de Marcos Rocha, estaria se sentindo abandonado pela própria estrutura que deveria impulsionar sua candidatura.
E a situação ficou ainda mais explosiva depois que Juliane Fúria, esposa de Fúria e candidata a deputada federal pelo PSD, apareceu em foto circulando numa moto com a candidata ao senado do União Brasil Mariana Carvalho
candidatos a deputado estadual e federal estão insatisfeitos com o fato de Fúria aparecer em agendas acompanhado principalmente de Juliane Fúria, enquanto outros candidatos da nominata ficam sem espaço e estrutura. Alguns estariam procurando abrigo em outras campanhas, especialmente no PL e na Federação União Progressista.
É o tipo de movimento que costuma ser fatal em uma campanha majoritária: quando candidatos proporcionais começam a procurar outro palanque, prefeitos começam a se afastar e lideranças deixam de aparecer nos eventos, o problema deixa de ser apenas financeiro e passa a ser político.
O governador, que preside o PSD em Rondônia, estaria insatisfeito com o comportamento do candidato. Em discursos, Fúria passou a se apresentar como “o novo” e a fazer críticas à saúde e à segurança pública, criando uma situação curiosa: o candidato governista tentando se apresentar como alternativa ao próprio governo que o lançou.
Nos bastidores, circula a informação de que Fúria estaria ensaiando uma ruptura política com Marcos Rocha.
Mas a leitura de setores da política é muito mais direta: trata-se de uma tentativa de esconder do eleitor que Fúria é o candidato do atual governo.
A estratégia seria simples: manter o apoio político e eleitoral de Rocha, mas tentar impedir que a eventual rejeição ao governador e à sua administração seja transferida para a candidatura de Fúria. e com isso brecar o crescimento de Expedito Netto e Hildon Chaves, potenciais candidatos que podem tira-lo do segundo turno.
O problema é que a operação pode acabar produzindo o efeito contrário.
Como candidato do PSD, Fúria não consegue apagar sua origem política. Foi escolhido pelo grupo governista, recebeu o apoio de Rocha e disputa a eleição dentro da estrutura partidária comandada pelo governador.
Com apenas R$ 12 mil declarados em receitas, aproximadamente R$ 260 mil em despesas contratadas, marqueteiro demitido, candidatos proporcionais reduzindo atividades e ameaçando uma debandada, Luís Fernando reclamando de abandono e setores do grupo governista demonstrando insatisfação, a campanha de Fúria chega a setembro diante de uma encruzilhada.
Da Redação Folha
Fonte Folha Rondoniense




