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Zé da Mata: o fenômeno de Tuntum e o legado que o tempo não apaga

Por Remy da Mata

Zé da Mata

Um Legado de Honra e Caráter

Zé da Mata - História de Tuntum
Há nomes que atravessam gerações sem perder o brilho. Em Tuntum, a história política guarda com respeito o de José Justino e Silva, o eterno Zé da Mata — personagem central de uma trajetória construída menos por cargos e mais por caráter.

O campeão de votos

Entre 1967 e 1972, Zé da Mata protagonizou um feito raro na política local: foi o único líder a obter votos em todas as seções eleitorais do município. A estatística, porém, apenas traduzia o essencial — a presença constante junto ao povo. Ao lado do amigo e companheiro de caminhada Carlito Cunha, consolidou uma base popular sustentada por lealdade, escuta e trabalho.

Democracia no sangue

A casa dos da Mata foi também escola de convivência democrática. Em duas eleições para a Câmara Municipal, Zé da Mata disputou votos com a própria irmã, Inocência Uruçú. Em campos opostos — ele na ARENA, ela no MDB —, ambos mantiveram respeito mútuo e equilíbrio nas urnas. O episódio tornou-se símbolo de pluralidade política vivida com civilidade, ensinada dentro de casa.

A eleição que marcou uma era

Em 1972, o nome de Zé da Mata ultrapassou os limites de Tuntum. Atendendo a convites de lideranças como o governador Pedro Neiva de Santana, os senadores José Sarney e Alexandre Costa, além do apoio decisivo de seu líder político Luiz Gonzaga da Cunha, aceitou disputar a Prefeitura de Tuntum.

A campanha foi histórica. O resultado, apertado, beirou o empate técnico com a adversária Rita Maria Saraiva Coelho. A vitória não veio. Veio, porém, algo maior: a grandeza.

Com dignidade, Zé da Mata procurou Rita Maria e seu esposo, Zeca Coelho — irmãos maçônicos — desejou êxito na condução do município e, em sessão extraordinária da Câmara, anunciou uma decisão que surpreendeu a cidade: afastou-se da política partidária.

Um novo horizonte

Longe dos palanques, Zé da Mata seguiu trabalhando. Investiu na pecuária, no setor madeireiro e no garimpo de ouro. Atuou em Imperatriz e São Luís, sem jamais perder a liderança natural. Tornou-se referência para conselhos, pontes e palavras de apoio — um líder sem cargo, mas com autoridade moral.

O legado de honra

A decisão de 1972 não foi recuo; foi gesto de estatura. Ao trocar o palco eleitoral pelo trabalho silencioso e produtivo, Zé da Mata demonstrou que liderança verdadeira independe de mandato. O respeito já estava garantido — em cada aperto de mão, em cada rua de Tuntum onde sua história foi escrita.

Ao registrar estas linhas, compreendo que meu maior patrimônio não são posses, mas o sobrenome que carrego. Sou Remy da Mata, filho de um homem justo, que soube vencer com humildade e sair de cena com honra. Religioso, temente a Deus, Zé da Mata viveu o sentido pleno de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Um legado que o tempo não apaga — preservado com orgulho e amor por todos que aprenderam, com ele, que política pode ser, acima de tudo, um exercício de caráter.
Legado preservado pelas famílias:
da Mata • Dias • Queiroz • Rocha Lima

Remy da Mata

Filho de José Justino e Silva (Zé da Mata)

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