spot_img
InícioDestaquesFim das bets – Não é pelo social; é sempre por dinheiro...

Fim das bets – Não é pelo social; é sempre por dinheiro e poder – Mara Paraguassu*

Fim das bets – Não é pelo social; é sempre por dinheiro e poder – Mara Paraguassu*

Lula foi contra derrubar o tigrinho e outros cassinos online, mas agora que ‘deu ruim’ quer enganar a população mais uma vez

Mara Paraguassu*

BRASÍLIA – Agora que o governo 3 de Lula da Silva quer reverter a regulamentação das bets aprovadas com o apoio do PT e de legendas aliadas em dezembro de 2023, é sempre bom colocar as coisas em pratos limpos a poucos dias das eleições. O PT está fazendo peças eleitorais piegas com Lula confortando eleitor humilde, possível vítima da jogatina, não por preocupação social como quer que a população acredite. O partido aposta sempre na falta de memória do brasileiro e subestima a capacidade de decisão do eleitor mais humilde. Algo abominável. 

Um governo qualquer pode mudar de ideia e reverter uma política que prejudica a sociedade? Evidente que sim. O que não pode é, a título de tentar mitigar a forte rejeição do eleitorado, usar a máquina pública como se fosse máquina partidária, competindo em desigualdade absurda.

O que não pode é mentir sobre a motivação de desfazer o que fortemente trabalhou para ser aprovado com intuito único de arrecadar quantia superior a R$ 10 bilhões, segundo o relator governista do PL 3636/2023 (bets) no Senado, Ângelo Coronel (PSD-BA). Ele dizia que essa arrecadação ia ajudar o governo a cumprir meta de zerar o déficit fiscal! Em 2024, o déficit fiscal foi de R$ 48 bilhões e em 2025 passou para R$ 61 bilhões.

O discurso era de que sem regulamentar não poderia ficar, por causa da sonegação de impostos, uma preocupação legítima, mas em setembro de 2023 – 4 meses antes da votação do PL no Senado – os senadores discutiam relatório do Banco Central no qual se demonstrou que em agosto os beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 bilhões com apostas, o que representou 21% do total repassado pelo programa no mesmo período. Especialistas alertavam sobre as mazelas a saúde mental e prejuízos familiares.

A regulamentação não iria mudar o quadro, alertaram especialistas e senadores da oposição.  A oposição entendeu a gravidade social se não houvesse uma restrição à jogatina sem freios.  O senador Carlos Portinho (PL-RJ) apresentou emenda para proibir o “tigrinho” e outros cassinos online, manter apenas jogos baseados em eventos reais, e ela foi aprovada por 37 senadores e 27 contra (da base aliada).

Ao defender sua emenda Portinho disse sobre os cassinos online: “É o liberou-geral, meus amigos. É a desgraça da família brasileira. É o cassino, é o blackjack. (…) A regra é a manipulação. O lucro das casas de apostas de jogos virtuais é de 70%”.

Senador Carlos Portinho (PL-RJ) apresentou emenda para proibir tigrinho e outros jogos online, mas foi derrubada pelo PT

É de justiça registrar que na Câmara Alta os únicos petistas que votaram a favor da emenda de Portinho foram Humberto Costa e Teresa Leitão. A justificativa do então líder do Governo Jaques Wagner (PT-BA), enrolado em inquérito da PF por envolvimento com Vorcaro, para recusar a emenda de Portinho foi:  “Não estamos criando nem autorizando. Estamos apenas regulamentando, por isso orientamos voto ‘não.’” É tocante a preocupação social nesta frase. Era dezembro de 2023.

O projeto voltou para a Câmara porque houve alteração pelos senadores. Chegando lá, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou um destaque para que a emenda do Senado contra os cassinos online fosse mantida. O líder do PL fez um apelo na sessão: “Se queremos salvar os brasileiros dessa mazela, temos que aprovar esse destaque. Cassinos fazem um dano enorme ao patrimônio de milhares de famílias. Se existe alguma coisa pior, eu quero conhecer. Vamos salvar pelo menos este mal”.

NENHUM dos 58 petistas presentes votou para barrar o tigrinho e outros cassinos online.

Se o social fosse a tônica da preocupação bastariam os dados do BC apresentados e debatidos pelo Senado em setembro de 2023 para o PT votar a favor da emenda da oposição. Seria claro sinal de que o social teria primazia sobre arengas e preconceitos à Frente Parlamentar Evangélica.

Um de seus líderes, o deputado Eli Borges (PL-TO), disse que na avaliação da Frente Parlamentar Evangélica a regulamentação do jogo traz mais males à sociedade do que a arrecadação prevista. “Estamos dando mais um avanço para envolver jovens e cidadãos brasileiros em uma jogatina sem precedentes”, criticou.

Resta votar para mudar, lamentar pelos endividados e mortos e dizer sem meias palavras o que é Lula: ensimesmado com sua arrogância e soberba, sem projeto de sociedade, apenas de poder, e cada vez mais distante da realidade, na prática não faz o que diz e está deixando na esquerda um legado de péssimos e falsos valores, de gente despreparada que aprendeu no PT que fazer política é gerenciar interesses com os plutocratas, arrivistas e corruptos do país.

*É jornalista profissional
Fonte Expressão Rondônia

Veja também